terça-feira, agosto 23, 2011

Adivinhem o autor.

Os amantes se amam cruelmente 
e com se amarem tanto não se vêem. 
Um se beija no outro, refletido. 
Dois amantes que são? Dois inimigos. 

Amantes são meninos estragados 
pelo mimo de amar: e não percebem 
quanto se pulverizam no enlaçar-se, 
e como o que era mundo volve a nada. 

Nada. Ninguém. Amor, puro fantasma 
que os passeia de leve, assim a cobra 
se imprime na lembrança de seu trilho. 

E eles quedam mordidos para sempre. 
deixaram de existir, mas o existido 
continua a doer eternamente. 


EU, NÃO PAREÇO, EU SOU.

6 comentários:

  1. Soa-me a familiar, mas não arrisco nenhum palpite! :*

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  2. Drummond de Andrade, mas precisei confirmar. :)

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  3. É um texto maravilhoso aliás

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  4. É de Drummond, mas não gosto deste poema.

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  5. Não ser a primeira dá nisto! Suspeitei ao ler mas confirmei nos comentários! :) **
    Adoro Drummond de Andrade! O verdadeiro poeta do amor! :)

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Odeio as almas estreitas, sem bálsamo e sem veneno, feitas sem nada de bondade e sem nada de maldade. Nietzsche
Debita aqui algum bálsamo.