Em tempos, tive uma chefe que começava a falar mais alto quando o assunto mexia com ela. Na altura eram decisões acerca de famílias carenciadas, crianças abandonadas... E um dia disse-me:
"Eh pa, você desculpe mas eu não consigo falar baixo quando estes assuntos mexem comigo e sou uma bruta mas eu aviso logo no início de cada reunião" E avisava, é certo...
Um dia, a pink-desculpem-lá-que-sou-frontal-directa-sem-papas-na-língua, respondeu num tom calmo e seco: "Compreendo mas isso não é exemplo de boa educação e comigo garantidamente não o volta a fazer"
"Como? A XXXXX sabe o que está a dizer? A chamar mal educada à sua chefe?"
A pink, iad, iada, iada, responde: "Sei, mas se você não consegue, é um problema que terá que resolver, não é nada comigo, não me interessa se é bruta ou não a falar, eu quero é reuniões calmas.
"Muito bem: não interessa quando, nem quem, recebi um mail com muita educação exposta mas palavras duras, que magoava. No fim do pior parágrafo a pessoa explicou que tinha como características, o pragmatismo, a falta de emotividade perante alguns contextos e era uma pessoa incisiva. Pode ser isso tudo e muito mais, mas para o meu lado não. Porque eu, se desatar a ser a desbocada que sou, com quem quer que seja, essa pessoa tem o direito de não me ouvir... Hoje disse a essa pessoa que não queria dela nem mais um "ai" dirigido a mim e ainda assim, tinha lá um mail... Como sou pouco curiosa, apaguei e enviei um a dizer "Vi o mail, apaguei, não li". E não li mesmo, sabem porquê? Tive medo de me magoar com o que ia ler.
Ou seja, pode ser isso tudo mas não para o meu lado.
Tal como eu podia chegar a uma reunião à porta fechada e dizer "Colegas eu tenho um problema de gazes mas pronto, eu sou assim e vamos lá trabalhar"... E os outros com isso?
É que eu, por ser como sou já magoei algumas pessoas, esta pessoa, ainda, AINDA, não percebeu que magoa e bem. E só porque fomos magoados no passado, nada nos dá o direito de magoar agora...
Somos assim, somos pois!
Mas ninguém tem que nos aturar, começo a achar que desligar o telefone na fronha de alguém, é um acto zen para mim e que se dane a má educação de desligar...
EU, NÃO PAREÇO, EU SOU.