quarta-feira, outubro 12, 2011

GRANDE

Quem me dera que eu fosse o pó da estrada
Quem me dera que eu fosse o pó da estrada
E que os pés dos pobres me estivessem pisando...
Quem me dera que eu fosse os rios que correm
E que as lavadeiras estivessem à minha beira...
Quem me dera que eu fosse os choupos à margem do rio
E tivesse só o céu por cima e a água por baixo...
Quem me dera que eu fosse o burro do moleiro
E que ele me batesse e me estimasse...
Antes isso que ser o que atravessa a vida
Olhando para trás de si e tendo pena...

                        Alberto Caeiro

Não sou superior, supero-me.

2 comentários:

  1. Os problemas eram bem menores.
    Um dos meus heteronimos favoritos
    bjinho

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  2. Pessoa e o seu lado mais triste.
    Identifico-me muito com este poema.
    Beijinhos amiga

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Odeio as almas estreitas, sem bálsamo e sem veneno, feitas sem nada de bondade e sem nada de maldade. Nietzsche
Debita aqui algum bálsamo.