terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Inatíngivel



Intangível
Quero-te como quero à abóbada noturna,
Ó vazo de tristeza, ó grande taciturna!
E tanto mais te quero, ó minha bem-amada,
Por te ver a fugir, mostrando-te empenhada
Em fazer aumentar, irónica, a distância

Que me separa a mim da celestial estância.
Bem a quero atingir, a abóbada estrelada,
Mas, se julgo alcançar, vejo-a mais afastada!
Pois se eu adoro até - ferro monstro, acredita! -
O teu frio desdém, que te faz mais bonita!

Charles Baudelaire, in "As Flores do Mal"
Tradução de Delfim Guimarães


Não sou superior, supero-me.

2 comentários:

Enriquece a minha pessoa com o teu comentário. Se vens criticar: não mudas em nada a minha postura... bem talvez me ria um pouco. Quem vem por bem, que escreva e se sinta em casa... Pink