quarta-feira, janeiro 20, 2016

Num qualquer local

Assim, de repente, deu-lhe aquela vontade súbita de largar o que já estava acabado,  embora todos os Domingos ela recebesse a visita dele e tivesse um cabaz de comida (não que ele precisasse, pois ganhava 10 vezes o ordenado mínimo) com tudo o que ele gostava. Ele pagava as contas, a casa era dos dois, mas ele ausente, corpo e mente ausente. De repente havia uma doença, havia um transtorno e quem sempre esteve ao lado dela, fez-se de desentendido. O que faz uma mulher nestas alturas? Uma mulher forte? Arregaça as mangas! Despede-se daqueles  luxos que a rodeavam há alguns anos, apoia-se em novas pessoas que gostam dela e começa-se a divertir, a conhecer outros grupos, sem esquecer quem ficou do seu lado quando esteve ao seu lado e o deixou por ela.
Surge outra cara, com o mesmo nome, dedicado, amigo, horas ao telefone meses a fio, e na altura certa, essa cara aparece naquele condomínio onde não se podia dizer um "ai", onde o técnico de som de fadista conhecida e o funcionário do Benfica, embirravam com estendais, cores de tapetes, idas ao sótão e a família de 4 filhos que destoava do restante silêncio. O exaustor mostrava a colecção imans , símbolo das viagens de trabalho dele, eram perto de 20, mau sinal...
A menina protegida estava, pela primeira vez sem ninguém, e fez-se à vida...


Não sou superior, supero-me.

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Odeio as almas estreitas, sem bálsamo e sem veneno, feitas sem nada de bondade e sem nada de maldade. Nietzsche
Debita aqui algum bálsamo.