segunda-feira, abril 13, 2015

Baudelaire - sempre


Perfume Exótico

Quando eu a dormitar, num íntimo abandono, 
Respiro o doce olor do teu colo abrasante, 
Vejo desenrolar paisagem deslumbrante 
Na auréola de luz d'um triste sol de outono; 

Um éden terreal, uma indolente ilha 
Com plantas tropicais e frutos saborosos; 
Onde há homens gentis, fortes e vigorosos, 
E mulher's cujo olhar honesto maravilha. 

Conduz-me o teu perfume às paragens mais belas; 
Vejo um porto ideal cheio de caravelas 
Vindas de percorrer países estrangeiros; 

E o perfume subtil do verde tamarindo, 
Que circula no ar e que eu vou exaurindo, 
Vem juntar-se em minh'alma à voz dos marinheiros. 


Charles Baudelaire, in "As Flores do Mal"


Não sou superior, supero-me.

1 comentário:

Odeio as almas estreitas, sem bálsamo e sem veneno, feitas sem nada de bondade e sem nada de maldade. Nietzsche
Debita aqui algum bálsamo.