quinta-feira, março 01, 2012

Bocage

Quantas vezes, Amor, me tens ferido? Quantas vezes, Razão, me tens curado?
Quão fácil de um estado a outro estado
O mortal sem querer é conduzido!
Tal, que em grau venerando, alto e luzido,
Como que até regia a mão do fado,
Onde o Sol, bem de todos, lhe é vedado,
Depois com ferros vis se vê cingido:
Para que o nosso orgulho as asas corte,
Que variedade inclui esta medida,
Este intervalo da existência à morte!
Travam-se gosto, e dor; sossego e lida;
É lei da natureza, é lei da sorte,
Que seja o mal e o bem matiz da vida.


Não sou superior, supero-me.

2 comentários:

  1. desta vez tenho que admitir que te superaste ;)
    adorei
    Bocage é um senhor

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  2. Com Bocage, tuso se es(su)pera.

    Beijo(ta)

    PS - Como os feed's não actualizam, tens novo post lá no (meu) estaminé.

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Odeio as almas estreitas, sem bálsamo e sem veneno, feitas sem nada de bondade e sem nada de maldade. Nietzsche
Debita aqui algum bálsamo.