quinta-feira, 12 de julho de 2018

Pedro Paixão



Ali, fardada de igual a todas as outras, nem havia olhos que pudessem adivinhar a sua beleza. A beleza não me interessa... A beleza tende a tornar-se numa perigosa armadilha e a ilusão paga-se com desespero.
Para uma imagem, mesmo pouco nítida, é preciso mais: saber mais, imaginar mais, acreditar mais …precipitadamente acontecem coisas que a todo momento nos alteram, modificando o mundo, matando o eu anterior para que possa ressuscitar o mesmo eu posterior, só que ligeiramente diferentes, ou então muito diferente. Como me reconhecer a mim mesmo?
Saudades de mim. De quem nunca fui.
A música não chega para salvar uma alma inquieta. Pensava como a vida não era como devia, como as coisas não aconteciam como previsto, como o mundo persistia em feri-la. Os olhos fechados, assim como o corpo fechado, eram a maneira que tinha de se proteger da violência das coisas, de reencontrar dentro de si a beleza da frágil flor azul. Sentia-se apaixonado como pela primeira vez. Diante da face dela o mundo inteiro parecia-lhe supérfluo. Não conseguia deixar de a olhar, e quando não estava na sua presença de a imaginar na sua presença.



O poder da Natureza é infinito, eu sou natural.

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