segunda-feira, dezembro 19, 2016

Pedro Paixão



Autobiografia
Acordar de noite. Não sentir a dor. Ficar quieto. À espera da dor. Respirar devagar. Abrir os olhos. Primeiro um, depois o outro. Fechar os olhos devagar. À espera da dor. Tu a chegares e depois a partires, a ires e a vires, a nunca ficares. Acordar de noite. A meio da noite.
Ninguém a teu lado. Um braço, uma cabeça, um colo. Sem te mexeres. Não vale a pena. Ninguém a teu lado. Um braço, um sopro, um gesto. Ficar quieto. Não vale a pena mexer o teu corpo, como se fosse o teu. Ali a meio da noite. À espera da dor. Enquanto não vem, a pensar que não vem, que não há-de vir, melhor assim. Que vens e vais e nunca chegas para ficar, nem a partir. Não vale a pena esperar. Pelo menos esta noite a dor não vem. Sorrir. Abrir os olhos devagar. Primeiro um, depois o outro. Continuar a sorrir. Até a luz chegar. Até chegar. Continuar a sorrir. Até a doer voltar.




Sou uma força da natureza, não tentes destruir - me...

2 comentários:

  1. Belo e misterioso texto!

    Beijos-

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  2. O Pedro escreve maravilhosas histórias, infelizmente fica ofendido com o facto de ser plagiado, apesar de usar nos seus textos imagens de outros sem a devida autorização.

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Odeio as almas estreitas, sem bálsamo e sem veneno, feitas sem nada de bondade e sem nada de maldade. Nietzsche
Debita aqui algum bálsamo.