segunda-feira, julho 04, 2016

A igreja a não condena a homossexualidade

 Por Prof. Dr. Daniel Helminiak Nenhum argumento religioso contra a homossexualidade sobrevive a uma análise crítica. Qualquer motivo religioso padrão não é mais do que ficção, fruto de convicções cegas. O "argumento" é somente uma preferência pessoal, uma posição apoiada por uma "escolha" e não por "argumentos racionais". A Religião é, assim, uma máscara usada para encobrir o preconceito.

A Bíblia NÃO condena a homossexualidade

As investigações científicas mais recentes demonstraram e denunciaram erros de tradução e de interpretação nas passagens que dizem respeito à homossexualidade. A maioria define claramente, como por exemplo em Ezequiel 16, 48-49 e no Livro da Sabedoria 9, 13-14, qual foi o pecado de Sodoma (Génesis 19): orgulho, ódio, abuso, dureza de coração. Sexo nunca é mencionado. Também o termo "não natural", por exemplo, que encontramos na Carta aos Romanos 1, 28-29 devia ter sido traduzido pelos termos "atípico" ou "não convencional". A Bíblia, se lida em coerência com os seus próprios termos e contexto, não apresenta nenhuma condenação explícita dos actos homossexuais. Ver D. A. Helminiak, What the Bible Really Says About Homossexuality, Alamo Press, 1994.

O Cristianismo NÃO se opôs sempre à homossexualidade


Até cerca de 1200, excepto no período por volta da altura da queda do Império Romano, a homossexualidade era, em geral, aceite na Europa cristã. No século VII, na Espanha Visigoda, uma série de seis conselhos nacionais da Igreja recusaram-se a apoiar a legislação do soberano contra actos homossexuais. No século IX códigos penais extensos por toda a Europa tratavam de questões sexuais detalhadamente, mas nenhum fora de Espanha proibía actos homossexuais. Pela altura da Alta Idade Média existia uma sub-cultura gay emergente e um corpo de literatura gay padrão estudada nas Universidades dirigidas pela Igreja. Ver J. Boswell em Christianity, Social Tolerance and Homosexuality, University Chigago Press, 1980.

Na prática da Igreja, procriação NÃO é essencial para ter relações sexuais

A filosofia estóica defendia que a concepção de bebés era a única razão eticamente aceitável para ter relações sexuais. O Cristianismo desde cedo incorporou esta noção na sua doutrina e algumas igrejas invocam-na para condenar a homossexualidade. Contudo, muitas destas igrejas permitem o uso de contraceptivos e permitem o casamento (e relações sexuais) entre casais que sabem serem estéreis ou entre casais que já ultrapassaram a idade para procriar. Até mesmo a Igreja Católica enfatizou recentemente a importância da união emocional e da partilha do amor como centrais para a intimidade sexual. Evidentemente, as igrejas não acreditam que a única e principal razão para a intimidade sexual é a procriação.

O argumento da "complementaridade" NÃO é coerente

Supostamente a complementaridade dos sexos é um requisição estabelecida por Deus para os relacionamentos sexuais. Mas a "masculinidade" e "feminilidade" são estereótipos. Na realidade, as características da personalidade das pessoas são mistas e abrangem tanto a esfera do masculino e como a esfera do feminino. Quaisquer duas pessoas, heterossexuais ou homossexuais, podem facilmente qualificar-se como complementares nalgumas características psicológicas, ou noutras. Deste modo, a complementaridade em questão só pode ser biológica. Ora, apelar à complementaridade é só uma maneira de dizer que só uma mulher e um homem podem partilhar a intimidade sexual. Logo, o verdadeiro argumento é este: as relações sexuais homossexuais são erradas porque sexo entre um homem e uma mulher é que está certo; casais homossexuais não podem partilhar nenhuma intimidade sexual porque não são heterossexuais. O argumento não explica nada, é circular, a verdadeira questão fica por responder. Indo um pouco mais longe, o argumento da complementaridade afirma que o único acto sexual permissível é a relação sexual entre pénis e vagina, mas não apresenta nenhuma razão para esta afirmação (na qual poucos acreditam, de qualquer modo).

A homossexualidade NÃO é uma doença

A Religião afirma que a homossexualidade é uma aberração em relação à ordem da criação de Deus. Contudo, a maioria das investigações científicas - zoológica, médica, psicológica, sociológica e antropológica - mostram que a homossexualidade é uma variante normal. Não só é prevalente em muitas espécies animais, como nos humanos a homossexualidade tem uma base biológica, é fixada no início da infância e presente em praticamente todas as culturas conhecidas. Não há nenhuma prova credível de que a orientação sexual pode - ou deve - ser modificada. A não ser que ser simplesmente homossexual em si venha a ser considerado como uma patologia com que se nasce, a ciência actual não é capaz de detectar nada de "doente" na homossexualidade e considera-a parte do mundo que Deus criou.

Os homossexuais NÃO são irreligiosos

Muitas pessoas condenam os homossexuais afirmando que são contra Deus e pecadores, mas os homossexuais cristãos contemporâneos reconhecem a sua auto-aceitação como fruto da graça de Deus. Eles testemunham que desde que "se assumiram" sentem-se mais felizes, mais saudáveis, mais produtivos, mais afectuoso, mais em paz, mais alegres e mais próximos das outras pessoas - e mais próximos de Deus. De acordo com o critério de Jesus "Pelos seus frutos os reconhecerás" (Mateus 7, 16) os homossexuais cristãos devem ser verdadeiros profetas do nosso tempo. Pelo contrário, colocar a tónica nos piores elementos e exemplos da comunidade homossexual - ou heterossexual - é uma maneira injusta de avaliar a questão.

*Traduzido de "Religious Arguments Against Homosexuality" in http://www.visionsofdaniel.com

Sou o que quiseres... quando eu quiser.

10 comentários:

  1. De novo, com sabedoria e isenção, apresentas, de forma brilhante, um texto de leitura obrigatória para quem quer discutir o assunto!!!
    Algumas questões para enriquecer a discussão, tão sabiamente colocada aqui:
    A Bíblia é bem clara sobre o homossexualismo:
    a) “Com homem não te deitarás, como se fosse mulher; abominação é”. (Levítico 18:22 ACF);
    b) “Vocês não sabem que os perversos não herdarão o Reino de Deus? Não se deixem enganar: nem imorais, nem idólatras, nem adúlteros, nem homossexuais passivos ou ativos, nem ladrões, nem avarentos, nem alcoólatras, nem caluniadores, nem trapaceiros herdarão o Reino de Deus”. (1 Coríntios 6:9-10 NVI)...

    Deus acabou com Sodoma e Gomorra pela libertinagem e homossexualismo...

    Não cou contra homossexuais... respeito quem assim seja... a questão é ampla.

    Parabéns pelo tema... agora pergunto:
    A amiga está com raiva de mim.... nem foi me visitar...!!!

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    1. Estive a dormir imenso e tenho o pinko de férias e lesionado.

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  2. Belo texto e controverso texto. Isto da homossexualidade, tem pano para mangas.
    Por vezes as pessoas afastam-se da igreja pela indiferença com tratam certos assuntos.

    Eu, pessoalmente, não tenho nada conta outras opções sexuais. Ou mesmo, com casamentos do mesmo sexo. A lei não é a mesma em todo o Mundo.

    Beijinhos
    Dia feliz

    Prazeres e Carinhos Sexuais

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    1. Eu não condeno nada, cada um que seja feliz. Beijinhos

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  3. Não apoio a homossexualidade mas também a não condeno. Cada ser humano deve ter o direito de ser livre nas suas convicções e a orientação sexual NUNCA pode ser a excepção. Afinal o que interessa é a pessoa ser feliz, seja homossexual ou heterossexual, ou lésbica, ou outra orientação sexual qualquer.

    Fico feliz da igreja não condenar mas... reservo-me as minhas desconfianças se, perante o ato, a igreja não condenará.

    Bom tema Pink Poison.

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  4. Creio que é um texto muito polêmico. Discutir religião e tendencias sexuais é transitar pelo antagônico.
    A verdade é que muitas das leis judias foram criadas pelos profetas, pela necessidade do povo judeu se procriar. Como uma nação pequena e rodeada de inimigos, era necessário que se formasse uma força militar, dessa forma, a melhor forma de aumentar o numero de soldados era o casamento, proibindo-se quaisquer que fossem outros tipos de relacionamentos. O livro citado pelo PDR, Levíticos, é um apanhado de leis dirigidas ao povo judeu, formulado durante a marcha para Canaã e segundo consta, foram 40 anos de caminhada. Como controlar um povo bárbaro, acostumado aos costumes egípcos, sem lhes fomentar através de leis, a proibição e os medos?
    De outra forma, para que o número aumentasse rapidamente, também era permitido a poligamia e todos os grandes lideres judeus tinham relações sexuais com suas esposas e com as escravas delas. Vê-se isso claramente, quando Abraão relacionava-se com a escrava preferida de Sara, para ter descendência, visto que essa era estéril. Somente depois, na velhice, por intermédio divino Sara pode dar a luz à Isaac.
    Segundo a lenda, Sodoma e Gomorra foram cidades destruídas por Deus, por que os habitantes praticavam o homossexualismo e o sexo anal, porém se revermos a história, ve-se que a condenação foi pela falta de hospitalidade e violência que imperavam nestas cidades.
    Ainda no mesmo capítulo, existe instituido claramente a relação incestuosa, visto que, depois que Lot e sua família fugiram da destruição, as filhas do mesmo o embebedaram e tiveral relações sexuais com ele, para que lhes dessem netos.
    Hoje em dia, é possível ver-se na maioria das religiões, o incesto, o homossexualismo e a poligamia como pecados, porém os mesmos, são relações inerentes e naturais ao ser humano, desde a pré-história.
    Entretanto, cara amiga, não me peça para apontar um fóssil, por que ainda não foi encontrada nenhum "viadinho" pré-histórico!
    BJOS

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  5. Nalguns casos a religião é que é, no mínimo, doentia.
    Que raio é que a sexualidade tem a ver com moralidade? :/

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  6. RESPONDENDO A TODOS. o meu pai pertence a uma igreja não católica, não apoia em nada a homossexualidade. Mas e os romanos, o filme Alexandre o grande? Abrão quis isso somente porque a Península Arábica estava com poucos crentes e toca de vir para África e invadir a A Península Ibérica.
    O que me causa muita impressão e nojo são as pessoas que dizem que tem cura.
    Isso sim.

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  7. Nunca tive e nem tenho nada contra, penso que cada qual tem o direito de ser feliz da maneira que escolher, se todos pensassem o mesmo, não havia tantos conflitos sobre isto ou aquilo.

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  8. Um bom serviço publico e informativo este teu texto,hoje é o dia de bons serviços públicos,acabei de ver uma reportagem sobre o "Assédio laboral",que muito me disse e diz,e poucos sabem que é uma contra ordenação,na lei,infelizmente por cá ainda não é crime como em Espanha ou França,um tema que merece ser debatido e desenvolvido,tal como fizeste com este,PARABENS por isso.

    Beijocas grandes

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Odeio as almas estreitas, sem bálsamo e sem veneno, feitas sem nada de bondade e sem nada de maldade. Nietzsche
Debita aqui algum bálsamo.