sexta-feira, outubro 16, 2015

Borderline, existe e é mau.


Borderline: o que é?

Síndrome de Borderline, Transtorno de Personalidade Limítrofe, Transtorno de Personalidade Borderline, Transtorno de Personalidade Emocionalmente Instável são nomes pelos quais é conhecido este distúrbio mental, considerada uma doença psicológica grave. Caracterizado por conferir aos seus doentes uma instabilidade mental elevadíssima, o Borderline afirma-se pela mudança repentina de um estado de espírito para outro. Os sintomas da doença manifestam-se a partir da adolescência e acompanham o doente até à idade adulta. Embora não se possam ter certezas absolutas em relação aos fatores que provocam este distúrbio mental, acredita-se que a hereditariedade, os traumas de infância e a predisposição genética possam estar relacionados com o surgimento do Borderline.

Como se manifesta este transtorno?

Um doente com Transtorno de Personalidade Borderline pode ser incrivelmente carinhoso ou extremamente agressivo. Pode num momento adorar uma pessoa e logo a seguir odiá-la profundamente, dependendo da forma como entende que essa pessoa o trata. Vive de forma intensa os relacionamentos, sufocando as outras pessoas com o seu receio de ser abandonado. Age por impulso, sem medir as possíveis consequências dos seus atos. Reage pessimamente a críticas e está sempre atento para não ser enganado. Desliga-se frequentemente da realidade para não sofrer e refugia-se nos seus pensamentos, adotando a imagem estereotipada do “estar na lua” durante as conversas. Alguns doentes com Borderline adquirem o costume da automutilação por entenderem ser mais fácil suportar a dor no corpo do que a dor que sentem na alma.

Diagnóstico e Tratamento

O Borderline não tem cura, no entanto, se diagnosticado atempadamente e devidamente acompanhado por um psicólogo ou psiquiatra, é possível ao doente manter o distúrbio controlado e levar uma vida praticamente normal. O tratamento consiste principalmente em sessões de terapia onde o doente aprende a criar defesas para as mudanças bruscas de emoções, bem como a criar estratégias para mudar a forma como reage ao exterior. A terapia pode ser acompanhada por medicação para combater o estado depressivo e acalmar a ansiedade característica da doença. Em casos mais graves, e quando o doente começa a manifestar tendências suicidas e/ou quando a medicação e a terapia se revelam manifestamente ineficazes, pode ser necessário o internamento do paciente numa unidade hospitalar.

Como lidar com alguém que sofre de Borderline?


Não ameaçar o doente

A técnica do “Ou deixas de ser assim ou vou-me embora” é altamente desaconselhável. Ameaçar o doente, ou “encostá-lo à parede”, obrigando-o a tomar decisões que têm que ser tomadas por sua própria iniciativa é como tentar obrigar um toxicodependente a desintoxicar-se sem que ele o deseje realmente. Tem que ser o próprio a decidir que quer melhorar e a esforçar-se por isso. Ameaças externas vão apenas levar a que a pessoa se irrite ainda mais e se revolte contra o mundo. Os doentes que sofrem de Transtorno de Personalidade Borderline têm um medo constante de serem abandonados por quem amam e as ameaças vão exacerbar esse medo, podendo levar a que as reações sejam imprevisíveis.

Deixar o doente ser confrontado com as consequências dos seus atos

Tentar proteger o doente de todas as consequências das suas ações impulsivas e descontroladas bem longe de ser uma ajuda pode tornar-se num sério entrave à melhoria do seu estado. É necessário que a pessoa se veja confrontada com os resultados menos bons daquilo que faz. Se for desagradável com alguém, por exemplo, é bom que essa pessoa lho faça notar; se for desrespeitoso com alguém, deve ser chamado à atenção; se arruinar uma festa familiar é indispensável que sinta que o que fez foi errado. Almofadar e “colocar panos quentes” em tudo não ajuda, nem incentiva. Uma boa dose de realidade pode ser muito benéfica para quem tem que se dar conta do alcance das suas ações, mesmo que essa pessoa esteja mentalmente perturbada. O segredo está na forma como se fazem as observações, os reparos ou as críticas. O ideal é nunca levar a crer que se acredita que o doente fez de propósito porque é “má pessoa”. Comedimento e contenção nas palavras são cruciais.
Fonte: Adoeci.com

Não sou superior, supero-me.