quinta-feira, setembro 29, 2011

Quase um Poema de Amor

Quase um poema de amor
Há muito tempo já que não escrevo um poema 
De amor. 
E é o que eu sei fazer com mais delicadeza! 
A nossa natureza 
Lusitana 
Tem essa humana 
Graça 
Feiticeira 
De tornar de cristal 
A mais sentimental 
E baça 
Bebedeira. 

Mas ou seja que vou envelhecendo 
E ninguém me deseje apaixonado, 
Ou que a antiga paixão 
Me mantenha calado 
O coração 
Num íntimo pudor, 
--- Há muito tempo já que não escrevo um poema 
De amor 


Miguel Torga

Não sou superior, supero-me.

1 comentário:

  1. O amor que brota em ti e precisa de ser despejado em alguém!

    AMA MIUDA XXX

    ResponderEliminar

Odeio as almas estreitas, sem bálsamo e sem veneno, feitas sem nada de bondade e sem nada de maldade. Nietzsche
Debita aqui algum bálsamo.