terça-feira, junho 14, 2011

Embriaga-te

Devemos andar sempre bêbados.
É a única solução.
Para não sentires o tremendo fardo do tempo que te pesa sobre os ombros e te verga ao encontro da terra, deves embriagar-te sem cessar.
Com vinho, com poesia, ou com a virtude.
Escolhe tu, mas embriaga-te.
E se alguma vez, nos degraus de um palácio, sobre as verdes ervas de uma vala, na solidão morna do teu quarto, tu acordares com a embriaguez atenuada, pergunta ao vento, à onda, à estrela, à ave, ao relógio, a tudo o que se passou, a tudo o que gira, a tudo o que canta, a tudo o que fala; pergunta-lhes que horas são:
São horas de te embriagares.
Para não seres como os escravos martirizados do tempo, embriaga-te, embriaga-te sem descanso.
Com vinho, com poesia. Ou com a virtude.

[Charles Baudelaire]
EU, NÃO PAREÇO, EU SOU.

7 comentários:

  1. Gostei, concordo e vou guardar esta reflexão.

    bjs

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  2. Também gostei muito... vamos beber uns copos?

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  3. Gostei muito...!
    Posso "roubar"? :)

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  4. Tens razão, se nos embriagarmos fica tudo mais nítido e a noção temporal fica perdida...o que por vezes dá muito jeito ;)

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  5. Margarida. claro que podes. Beijo

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  6. Clara, nem o próprio Baudelaire diria melhor, adorei o comment...

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Odeio as almas estreitas, sem bálsamo e sem veneno, feitas sem nada de bondade e sem nada de maldade. Nietzsche
Debita aqui algum bálsamo.